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Cérvix uterino e atuação na fertilidade

O cérvix (colo uterino)

O colo do útero é uma importante parte do corpo feminino, com atuação em alguns processos já naturais da mulher, como a menstruação, por exemplo. Ele também protege o organismo de agressões provocadas por agentes nocivos externos e, além disso, o colo do útero participa do processo de fertilidade, podendo atrapalhar ou estimular a fecundação. Vamos saber mais sobre o assunto?

O que é o colo do útero e qual a sua função

O cérvix (cérvice ou colo do útero), na anatomia da mulher, é a porção inferior e estreita do útero, onde ele se une com a porção final superior da vagina

De uma maneira mais didática, podemos dizer que o útero tem o formato de uma pêra (fruta) invertida, e o colo é a parte mais estreita, que faz ligação com o canal vaginal. É uma superfície bem pequena, com cerca de 3 cm de comprimento e tem um aspecto enrugado.

O colo do útero serve como uma barreira, impedindo que a parte interna do corpo tenha contato com a área externa, no caso, o canal vaginal. É uma espécie de tampão evitando que agentes infecciosos entrem em contato com o útero.

É através do colo do útero que a menstruação é liberada e também que o bebê é expelido durante o trabalho de parto, após a dilatação necessária. 

O colo do útero e a fertilidade

Além das funções listadas acima, o colo do útero têm um papel fundamental na fertilização do óvulo. Durante a ovulação, ele libera o muco cervical, que favorece o trajeto do espermatozóide para que ele chegue com sucesso ao gameta feminino.

Esse muco cervical (muco presente no colo uterino) é extremamente importante no processo de fertilização, pois é nele que o espermatozóide “nada” em direção ao óvulo a ser fecundado. 

O muco é responsável por transportar e armazenar os espermatozóides no trato reprodutor feminino, levando-os ao encontro do óvulo. Durante a ovulação, o muco se torna mais espesso e agradável ao gameta masculino.

Entretanto, em algumas mulheres, o muco cervical, secretado no período pré-ovulatório, torna-se hostil e acaba dificultando a entrada dos espermatozoides no útero. O que era para ser um estimulante, se torna uma ameaça.

As alterações no colo uterino são responsáveis por 15 a 50% das causas de esterilidade. A análise desse fator é feita através dos seguintes exames:

  • Avaliação do muco cervical;
  • Histerossalpingografia;
  • Ultrassonografia transvaginal;
  • Histerossonografia;
  • Videohisteroscopia (histeroscopia diagnóstica);
  • Colposcopia.

Possibilidade do Espermatozóide não alcançar o cérvix uterino (Colo do Útero)

A fecundação é o encontro do gameta masculino com o gameta feminino. Para que isso aconteça, é preciso que os espermatozóides sejam adequadamente depositados no fundo da vagina, bem perto do colo do útero.

A penetração, portanto, é necessária para que o espermatozóide possa entrar no colo do útero, através do muco cervical. Esse é um fator de extrema importância nesse processo.

Outro pré-requisito importante é que o espermograma esteja normal. O espermograma é um exame que permite avaliar o número e a qualidade dos espermatozoides. 

Sabendo disso, podemos listar alguns fatores que impedem ou dificultam a chegada do espermatozoide ao colo do útero. Veja só:

Baixa na quantidade e qualidade dos espermatozoides;

Estreitamentos da entrada do canal do colo uterino. Também chamada de estenose cervical, esse estreitamento impede que o espermatozóide passe por aquele orifício e chegue ao óvulo;

Infecções. Os processos infecciosos atrapalham a fertilidade e também podem provocar lesões na região uterina, como veremos melhor adiante.

Dificuldades ou impedimentos da penetração do pênis. Por alguma razão, o pênis não consegue completar a penetração e nem se aproximar do colo do útero.

Uso de lubrificantes não aquosos. Lubrificantes possuem substâncias tóxicas para o espermatozoide e também atrapalham a sua movimentação natural. Portanto, não é recomendado utilizá-los.

Uso de ducha vaginal logo após a relação sexual. As duchas vaginais comprometem e alteram o PH da vagina, atrapalhando a movimentação dos espermatozoides. Além disso, facilitam o surgimento de infecções.

Causas de infertilidade relacionadas ao colo uterino

Além dos pontos citados no tópico anterior, existem duas razões relacionadas ao colo do útero que, comumente, impedem que a fecundação aconteça como o casal espera. São eles:

  • Infecção do colo uterino

Processos infecciosos são situações delicadas quando o assunto é fertilidade. Como vimos, o colo do útero serve como uma passagem pela qual o espermatozóide chega até o útero, onde se encontra o óvulo.

Quando essa passagem está lesionada ou infeccionada, o espermatozóide não consegue realizar o seu trajeto natural e a fecundação não é bem sucedida.

A infecção acontece quando bactérias e outros agentes infecciosos passam do canal vaginal para o útero, tubas e ovários. Geralmente, é o resultado de alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível), como a gonorreia e a clamídia, por exemplo.

Os principais sintomas da infecção do colo do útero são:

  • Dor pélvica;
  • Sangramento irregular e fora do período menstrual;
  • Corrimentos vaginais;
  • Desconforto durante a relação sexual;
  • Desconforto ao urinar.

Essas infecções podem acontecer durante a relação sexual sem preservativo e nem sempre apresentam sintomas. Por isso, é importante fazer um acompanhamento de rotina com seu ginecologista para agir de forma preventiva.

  • Alterações do muco cervical

Como vimos, o muco cervical, produzido pelo colo do útero, oferece uma colaboração importante durante o processo de fecundação do óvulo. Esse muco facilita o trabalho do espermatozoide, seja possibilitando a sua entrada no útero ou propiciando o seu trajeto até o alvo, no caso, o óvulo.

Contudo, é possível que esses estímulos não aconteçam por causa de alguma alteração no muco cervical. Nesses casos, algumas situações podem ocorrer:

  • O muco não adquire características propícias para o espermatozoide;
  • As bactérias entram na região uterina facilmente, infeccionando e atrapalhando a fecundação;
  • Surgimento de anticorpos que agridem os espermatozoides e impedem a fecundação;

As causas para essas alterações costumam ter relação com problemas infecciosos, e inflamatórios, geralmente causados por DSTs. Também podem surgir em decorrência de uma característica comum a algumas mulheres, que é a estenose cervical.

A estenose cervical, como vimos, é o estreitamento do colo do útero e que pode surgir em decorrência de neoplasias, cauterização, infecções, inflamações, cistos e, até mesmo, mal formação uterina. 

Como tratar a infertilidade causada por problemas no colo do útero

O tratamento consiste na eliminação da causa do problema. Quando o ginecologista avalia e descobre alguma infecção ou outra questão que esteja atrapalhando a fecundação, ele inicia um tratamento para eliminar esse obstáculo.

Em seguida, é possível iniciar um tratamento de reprodução assistida para que o casal consiga engravidar, ainda que o corpo da mulher, ou do homem, não esteja colaborando cem por cento para esse sonho.

Em todos os casos, é fundamental que o casal converse abertamente com o seu médico para que vejam juntos a melhor alternativa de acordo com a realidade e as características físicas e biológicas de cada um.

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