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7 sinais que podem estar prejudicando sua fertilidade (e o que fazer agora)

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Antes de começar: por que estes sinais importam

Você não precisa esperar um ano tentando para começar a olhar para possíveis obstáculos. O corpo costuma dar pistas claras quando algo pode estar interferindo na sua fertilidade — e reconhecer esses sinais cedo acelera o caminho para uma solução. Ao entender o que observar e como agir, você ganha meses (às vezes anos) de vantagem e evita frustrações desnecessárias.

Neste guia, você verá sete sinais comuns que podem prejudicar a concepção, o que cada um significa e as ações práticas que pode tomar agora. A abordagem é direta: identificar, investigar e intervir. Seja você quem está tentando engravidar neste momento ou apenas planejando o futuro, cuidar da fertilidade é um investimento na sua saúde global.

Sinais hormonais que atrapalham sua fertililidade

Hormônios orquestram ovulação, qualidade dos óvulos e preparo do endométrio. Quando algo sai do compasso, o corpo emite alertas. Dois dos mais frequentes envolvem ciclos menstruais e tireoide.

Ciclos irregulares ou ausência de menstruação

Se o seu ciclo varia muito de um mês para o outro, dura menos de 24 dias ou mais de 35, ou se a menstruação some por mais de 3 meses, isso pode indicar anovulação (quando não há liberação de óvulo). Além de atrasos, outros sinais incluem sangramentos muito leves e imprevisíveis, espinhas persistentes e aumento de pelos em regiões atípicas (indicando possíveis andrógenos elevados, como na SOP).

Por que isso importa: sem ovulação, não há óvulo para fecundar. Mesmo quando a ovulação ocorre, se for irregular, fica difícil acertar a janela fértil.

O que fazer agora:
– Registre 3 a 6 ciclos em um app ou agenda, anotando duração, fluxo e sintomas.
– Use testes de LH (preditores de ovulação) por alguns ciclos para confirmar se há pico ovulatório.
– Solicite a seu médico avaliação hormonal (FSH, LH, estradiol, progesterona na fase lútea, prolactina, AMH) e ultrassom transvaginal.
– Se houver suspeita de SOP, discuta intervenções de estilo de vida e, quando indicado, medicamentos para indução de ovulação.

Indícios de disfunção da tireoide

Fadiga desproporcional, frio excessivo, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso inexplicado ou taquicardia e ansiedade podem sugerir hipotireoidismo ou hipertireoidismo. A tireoide influencia a maturação folicular e o endométrio, além de impactar o risco de perda gestacional.

Por que isso importa: níveis alterados de TSH e T4 podem dificultar a concepção e aumentar riscos na gestação, especialmente no primeiro trimestre.

O que fazer agora:
– Peça exames de TSH, T4 livre e anticorpos antitireoidianos (TPO).
– Se o TSH estiver fora do alvo, converse sobre ajuste com levotiroxina (hipo) ou tratamento adequado (hiper). Na fase de tentar engravidar, muitos especialistas miram TSH entre 1 e 2,5 mIU/L.
– Reavalie medicamentos, suplementos de iodo e consumo de soja em excesso sob orientação médica.

Sinais ginecológicos e dor pélvica que pedem atenção

Algumas condições anatômicas ou inflamatórias podem reduzir a chance de concepção, seja pela qualidade do ambiente pélvico, seja por obstruir uma das etapas da fecundação. Dor que limita sua rotina ou alterações acentuadas no fluxo menstrual são bandeiras vermelhas.

Cólica incapacitante, dor pélvica crônica ou fluxo muito intenso

Cólicas que te deixam de cama, dor durante ou após a relação sexual, e fluxo menstrual muito intenso ou com coágulos grandes podem apontar para endometriose ou miomas. Endometriose está presente em cerca de 10% das mulheres e é mais frequente entre aquelas com infertilidade. Miomas submucosos podem dificultar a implantação do embrião.

Por que isso importa: inflamação pélvica e alterações anatômicas podem afetar a qualidade dos óvulos, a função tubária e a receptividade do endométrio.

O que fazer agora:
– Agende avaliação com ginecologista para exame físico e ultrassom transvaginal com mapeamento detalhado.
– Em casos específicos, ressonância pélvica ou laparoscopia diagnóstica podem ser indicadas.
– Discuta opções de tratamento: manejo da dor, cirurgia conservadora para endometriose ou miomas submucosos, e estratégias de preservação reprodutiva quando aplicável.
– Considere fisioterapia pélvica e ajustes nutricionais anti-inflamatórios como adjuvantes.

História de ISTs, corrimento anormal ou dor após relações

Infecções como clamídia e gonorreia podem causar doença inflamatória pélvica, levando a aderências e obstrução tubária. Corrimento com odor forte, dor pélvica, febre ou desconforto após relações são sinais de alerta.

Por que isso importa: trompas saudáveis são essenciais para encontrar o óvulo e promover a fecundação. Danos tubários reduzem a chance de gravidez espontânea e aumentam risco de gravidez ectópica.

O que fazer agora:
– Realize testes para ISTs (inclusive clamídia e gonorreia) e trate você e o parceiro, se necessário.
– Avalie a permeabilidade tubária com histerossalpingografia (HSG) ou sono-histerografia, conforme indicação médica.
– Use preservativo até completar tratamento e negativação dos testes.
– Atualize vacinação (HPV, hepatite B) conforme orientação.

Metabolismo e peso: quando o corpo envia alertas

Peso fora da faixa ideal e sinais de resistência à insulina afetam diretamente hormônios reprodutivos. O excesso de tecido adiposo pode aumentar a aromatização, alterando o equilíbrio hormonal; já o baixo peso pode suprimir a ovulação por déficit energético.

Sobrepeso, baixo peso e sinais de resistência à insulina

Sobrepeso, circunferência abdominal aumentada, manchas escurecidas no pescoço/axilas (acantose nigricans), fome intensa e sonolência após carboidratos são pistas de resistência à insulina. Já o baixo peso, com IMC abaixo de 18,5, pode estar associado a ciclos anovulatórios. Nos homens, excesso de peso pode reduzir testosterona total e livre, prejudicando espermatogênese.

Por que isso importa: tanto sobrepeso quanto baixo peso reduzem a probabilidade de concepção por ciclo. Em pessoas com SOP, perder 5% a 10% do peso pode restaurar a ovulação em muitos casos.

O que fazer agora:
– Solicite avaliação metabólica: glicemia de jejum, insulina, hemoglobina glicada e perfil lipídico.
– Ajuste a alimentação priorizando padrão mediterrâneo: vegetais, leguminosas, grãos integrais, peixes gordos, azeite de oliva e oleaginosas.
– Estabeleça meta realista de perda de 0,5 kg por semana, quando necessário; ganhe massa magra com treino de força 2 a 3 vezes por semana.
– Durma 7 a 9 horas por noite: sono adequado melhora sensibilidade à insulina e regulação hormonal.
– Discuta com seu médico o uso de metformina em casos de SOP com resistência à insulina.
– Suplemente ácido fólico (400 a 800 mcg/dia) antes mesmo de engravidar; homens podem considerar um multivitamínico com zinco e antioxidantes, sob orientação.

Estilo de vida, estresse e sono: sabotadores silenciosos da fertilidade

Os hábitos do dia a dia podem ser aliados ou vilões. Estresse crônico, privação de sono e exposições como tabaco, álcool e calor excessivo afetam a qualidade de óvulos e espermatozoides, além de reduzir a libido e a frequência de relações na janela fértil.

Estresse crônico e privação de sono

Ciclos de estresse prolongado elevam cortisol, influenciam o eixo HPA e podem atrasar ou suprimir a ovulação. Turnos noturnos e sono fragmentado estão associados a ciclos irregulares e menor qualidade seminal. Além disso, estresse elevado reduz o desejo sexual, diminuindo as chances de aproveitar a janela fértil.

Por que isso importa: equilíbrio neuroendócrino é fundamental para ovulação e espermatogênese; sem recuperação adequada, o corpo prioriza sobrevivência, não reprodução.

O que fazer agora:
– Estabeleça rotina de sono: horário fixo para deitar e acordar, ambiente escuro e fresco, evitar telas por 60 minutos antes de dormir.
– Pratique técnicas de redução de estresse 10 a 15 minutos ao dia: respiração diafragmática, meditação guiada ou caminhada ao ar livre.
– Planeje momentos de intimidade sem foco exclusivo na concepção para reduzir pressão e manter a conexão do casal.
– Considere terapia cognitivo-comportamental se ansiedade e rumininação estiverem intensas.

Tabaco, álcool, calor e toxinas ambientais

O tabagismo reduz a reserva ovariana ao acelerar a perda de folículos e piora a qualidade espermática, diminuindo contagem e motilidade. O consumo excessivo de álcool está ligado a alterações hormonais e piora do sêmen. Exposição a calor intenso (saunas frequentes, banhos muito quentes, laptop no colo) prejudica a espermatogênese, que leva cerca de 74 a 90 dias para se renovar. Substâncias como ftalatos, BPA e alguns pesticidas são disruptores endócrinos.

Por que isso importa: pequenas mudanças somadas nos 3 meses anteriores à concepção podem melhorar marcadores de fertilidade, especialmente no fator masculino.

O que fazer agora:
– Interrompa o tabaco (incluindo vapes) e reduza o álcool a consumo leve; se possível, evite durante a fase de tentativas.
– Por 3 meses, evite calor testicular: prefira banhos mornos, não use laptop sobre o colo, opte por roupas íntimas mais soltas.
– Diminua plásticos com BPA e recipientes aquecidos no micro-ondas; prefira vidro, aço inox e produtos “BPA free”.
– Se você trabalha com solventes, pesticidas ou metais, use EPIs e siga protocolos de segurança rigorosamente.

O que fazer agora: plano de ação em 30, 60 e 90 dias

Identificar sinais é apenas o primeiro passo. A seguir, um roteiro prático para transformar informação em resultado, com foco em otimizar a fertilidade de forma eficiente e segura.

Primeiros 30 dias: medir, mapear e corrigir o básico

– Faça um check-up direcionado: hemograma, ferritina, TSH/T4, prolactina, glicemia, insulina, vitamina D (se indicado), hormônios sexuais conforme fase do ciclo e histórico.
– Realize ultrassom transvaginal (mapeando folículos antrais) e, quando indicado, testes para ISTs; homens devem solicitar espermograma completo com morfologia estrita.
– Inicie ácido fólico (400 a 800 mcg/dia) e ajuste um multivitamínico pré-concepcional conforme orientação.
– Comece um diário do ciclo: menstruação, sintomas, temperatura basal (se optar) e uso de testes de LH por 2 a 3 ciclos para confirmar ovulação.
– Remova sabotadores óbvios: interrompa tabaco, reduza álcool, organize rotina de sono (7 a 9 horas) e defina 2 a 3 sessões semanais de atividade física.
– Programe relações a cada 2 ou 3 dias, intensificando nos 3 dias que antecedem o pico de LH e no próprio dia do pico.

30 a 60 dias: tratar causas e ajustar o ambiente

– Se exames sugerirem tireoide desregulada, ajuste a medicação e reavalie TSH. Se houver sinais de resistência à insulina, implemente dieta de baixo índice glicêmico e treino de força.
– Suspeita de endometriose ou miomas? Avance na investigação (ressonância, histeroscopia) e discuta terapias que preservem a fertilidade.
– Trate ISTs e reavalie após término; inicie uso consistente de preservativos até negativação.
– Faça revisões de medicações em uso: alguns fármacos podem afetar ovulação ou sêmen; alinhe com o médico alternativas compatíveis com seus planos reprodutivos.
– Ajuste o ambiente: reduza exposição a disruptores endócrinos em casa e no trabalho, conforme viável.

60 a 90 dias: reavaliar, intensificar e planejar próximos passos

– Refaça exames-chave se houve intervenções (especialmente espermograma e TSH), lembrando que a espermatogênese leva cerca de 3 meses para refletir mudanças.
– Se você tem menos de 35 anos e tenta há 12 meses, ou tem 35 anos ou mais e tenta há 6 meses, considere consulta com especialista em reprodução humana para um plano individualizado.
– Explore estratégias específicas: indução de ovulação (quando há anovulação), inseminação intrauterina (quando há fator cervical ou suave alteração seminal) ou fertilização in vitro (em casos de fator tubário, endometriose moderada a severa, idade avançada ou múltiplos fatores).
– Discuta preservação da fertilidade (congelamento de óvulos/embriões) se você planeja adiar a gestação ou se passará por tratamentos que possam afetar a reserva ovariana.

Sinais masculinos: o lado muitas vezes esquecido

Cerca de um terço dos casos de dificuldade para engravidar envolvem o fator masculino. Ignorar pistas do corpo do homem pode atrasar soluções simples.

Queda de libido, alterações na ereção ou desconforto testicular

Diminuição marcada do desejo sexual, dificuldade de manter ereção ou sensação de peso no escroto (varicocele) podem impactar frequência de relações e qualidade do sêmen. Histórico de caxumba na adolescência, trauma testicular ou uso de esteroides anabolizantes também são relevantes.

Por que isso importa: a qualidade seminal depende de hormônios adequados, integridade testicular e ambiente térmico correto.

O que fazer agora:
– Solicite espermograma com 2 a 7 dias de abstinência; se alterado, repita após 4 a 6 semanas para confirmar.
– Consulte urologista/andrologista para avaliar varicocele, infecções e perfil hormonal (testosterona total e livre, FSH, LH, prolactina).
– Interrompa anabolizantes e suplementos de procedência duvidosa; otimize sono, treino e nutrição para suporte natural da produção hormonal.
– Reduza calor testicular e elimine o tabaco; ajuste álcool para níveis baixos.

Como reconhecer a sua janela fértil (e não perder o timing)

Mesmo com exames em dia, perder a janela fértil reduz as chances mês a mês. Dominar o timing é uma alavanca poderosa, especialmente quando há ciclos irregulares.

Ferramentas práticas para identificar ovulação

– Testes de LH: um pico positivo indica que a ovulação deve ocorrer em 12 a 36 horas; tenha relações no dia do pico e no dia seguinte.
– Muco cervical: textura clara, elástica e abundante sinaliza alta fertilidade; é um indicador barato e útil.
– Temperatura basal: sobe discretamente após ovulação; ajuda a confirmar padrões ao longo de vários ciclos.
– Apps de ciclo: úteis para registro, mas não substituem sinais biológicos em tempo real.

Dicas de timing:
– Relações a cada 2 ou 3 dias ao longo do ciclo garantem presença de espermatozoides quando o óvulo é liberado.
– Intensifique nos 3 dias antes do pico de LH e no dia do pico, quando a probabilidade de concepção por ciclo é maior.

Quando procurar ajuda sem esperar

Há situações em que é prudente antecipar a avaliação com um especialista em reprodução humana, mesmo antes dos prazos tradicionais.

Procure avaliação precoce se:
– Você tem 35 anos ou mais.
– Seus ciclos são cronicamente irregulares ou ausentes.
– Há dor pélvica severa, suspeita de endometriose ou miomas significativos.
– Você tem história de ISTs, doença inflamatória pélvica ou cirurgia pélvica prévia.
– Houve dois ou mais abortos espontâneos.
– O espermograma inicial mostrou alterações importantes.

Quais exames podem ser discutidos:
– Reserva ovariana: contagem de folículos antrais por ultrassom e AMH.
– Avaliação tubária: histerossalpingografia ou sono-histerografia.
– Avaliação uterina: histeroscopia diagnóstica para pólipos, sinéquias e miomas submucosos.
– Espermograma aprofundado: repetição, cultura seminal quando indicado e avaliação hormonal masculina.

Próximos passos possíveis:
– Intervenções dirigidas ao fator identificado (tireoide, SOP, endometriose, varicocele).
– Técnicas de baixa complexidade (indução de ovulação, coito programado, inseminação).
– Técnicas de alta complexidade (FIV/ICSI) quando indicado.

Ao longo de todo o processo, lembre-se: otimizar a fertilidade é também otimizar saúde metabólica, mental e sexual. Cada ajuste conta.

Para recapitular, os 7 sinais que merecem sua atenção imediata são:
– Ciclos irregulares ou ausência de menstruação.
– Indícios de disfunção da tireoide.
– Cólica incapacitante, dor pélvica crônica ou fluxo muito intenso.
– História de ISTs, corrimento anormal ou dor após relações.
– Sobrepeso, baixo peso e resistência à insulina.
– Estresse crônico e privação de sono.
– Tabaco, álcool, calor testicular e exposição a toxinas.

Se um ou mais desses sinais estão presentes, o melhor momento para agir é agora. Comece com os passos de 30 dias, organize seus exames e ajustes de rotina e, se necessário, busque avaliação especializada sem protelar. Cuidar da sua fertilidade hoje é abrir portas para o seu projeto de família amanhã. Agende sua consulta e transforme informação em ação.

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Dra. Juliana Amato

Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).

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