Existem pré-requisitos para ser elegível para um tratamento de fertilidade?

Atualmente, existem diversos tratamentos de fertilidade que aumentam muito as chances de casais conseguirem engravidar. Por isso, o mais indicado quando os parceiros começam a desconfiar de infertilidade é consultar um médico para descobrir qual é o melhor tratamento e já iniciá-lo.

Mesmo com bons tratamentos disponíveis, esse período costuma ser difícil para o casal, que geralmente chega ao consultório cheio de ansiedade e inseguranças. Então, é normal que apareçam dúvidas sobre os tratamentos.

Uma pergunta frequente que mulheres e homens fazem durante esse período é se existem pré-requisitos para ser elegível a um procedimento de fertilidade. Pensando em facilitar esse momento para você, vamos explicar aqui se há pré-requisitos e quais são as recomendações para casais que desejam realizar um procedimento para engravidar.

Existem pré-requisitos para fazer um tratamento de fertilidade?

A medicina está sempre evoluindo e, por isso, hoje em dia existem diversas opções disponíveis para casais que desejam engravidar, como o coito programado, fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial, entre outros.

Na maioria dos casos, não há pré-requisitos que impedem parceiros de realizarem um tratamento. O que existe são ações que são recomendadas ou devem ser realizadas pelo casal antes de iniciar um procedimento para fertilidade. Abaixo, listamos 5 pontos que têm que ser considerados por um casal antes de tentar iniciar um tratamento para engravidar:

Tentativas de engravidar de forma natural por pelo menos 1 ano

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, casais podem começar a pensar que são inférteis depois de manterem relações sexuais regulares por 1 ano sem usar métodos contraceptivos e não engravidarem.

Nos casos em que a mulher tem 35 anos ou mais, após 6 meses de tentativas sem o uso de contraceptivos já se pode pensar em infertilidade e procurar a ajuda de um médico especialista.

Antes desses períodos, não é indicado já procurar um profissional e tratamento, porque as tentativas frustradas não significam necessariamente que ambos ou um dos parceiros são inférteis. Existem casos que casais têm dificuldades para engravidar, mas não devido à infertilidade.

Então, antes de procurar um tratamento, tente engravidar por um desses 2 períodos, de acordo com sua idade. Dessa forma, se for necessário ir ao médico, você poderá relatar ao profissional escolhido porque desconfia que seu parceiro ou você são inférteis.

Idade máxima

Desde 2015, o Conselho Federal de Medicina (CFM) não obriga mais mulheres com mais de 50 anos a obterem uma autorização do órgão para realizarem tratamentos de fertilidade.

Atualmente, elas podem se submeter a tratamentos de fertilização desde que assumam os riscos de uma gravidez em idade avançada. Os médicos responsáveis por esse tipo de caso também devem orientar os riscos junto às suas pacientes.

O Conselho faz isso devido às complicações que podem aparecer quando uma mulher com mais de 50 anos engravida. Alguns dos riscos envolvidos nesse cenário são: hipertensão, diabetes gestacional, parto prematuro e o nascimento de um bebê com baixo peso.

Além disso, assumir o risco do caso é o suficiente em clínicas privadas de fertilidade. Se a mulher buscar um tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela só poderá ficar na fila se tiver no máximo 38 anos, já que o órgão não realiza tratamentos de fertilidade em mulheres que estão acima dessa idade.

Descoberta do que está causando a infertilidade

Após desconfiar de infertilidade, os casais devem procurar um médico especialista na área para descobrir qual é a causa de esterilidade dos parceiros. Essa etapa é fundamental, porque dependendo do motivo da infertilidade existem tratamentos que são mais ou menos indicados. E, sem um diagnóstico, nenhum médico de confiança irá indicar um tratamento.

Sendo assim, o profissional deve fazer uma pesquisa detalhada e completa sobre os parceiros para dar um diagnóstico e recomendar o melhor tratamento para o casal. Em alguns casos, mesmo após muitas análises, a causa da infertilidade não é descoberta.

Contudo, continua sendo essencial fazer essa pesquisa, porque mesmo sem um motivo específico, o médico terá analisado ambos os parceiros e saberá indicar tratamentos que têm mais chances de serem bem-sucedidos com o casal.

Escolha do tratamento

Cada tratamento de fertilidade possui suas particularidades, então a mulher e o homem que vão realizá-lo precisam ter certos pré-requisitos para serem elegíveis ao tratamento escolhido.

Porém, se eles não têm os pré-requisitos para participarem de um procedimento, pode ser que eles tenham para outro. Ou seja, não ter o que necessário para realizar um tratamento não significa que o casal não poderá fazer nenhum tratamento.

Para fazer uma inseminação artificial intrauterina, por exemplo, a mulher deve ter pelo menos uma tuba uterina que funciona bem. Afinal, o óvulo precisa ser capaz de encontrar os espermatozoides nessa cavidade.

Mas, se a causa da infertilidade da mulher for justamente uma deficiência nas tubas, ela pode optar pela fertilização in vitro. Nesse caso, o embrião é formado em um meio de cultura e depois só é injetado no útero da paciente.

Já se o homem produz somente espermatozoides de baixa qualidade, que estão impossibilitando a gravidez, o casal pode utilizar espermatozoides doados anonimamente. E o tratamento escolhido pode ser tanto inseminação artificial quanto a fertilização in vitro, de acordo com que o médico recomendar depois de analisar também as particularidades da mulher.

Concordar com as fases do tratamento

Os tratamentos sempre exigem algum tipo de procedimento, como o acompanhamento da ovulação da mulher, a ingestão de medicamentos para estimular os ovários e induzir a ovulação, a coleta de espermatozoides ou a injeção de embriões.

Então, um pré-requisito para fazer qualquer tipo de tratamento é concordar em realizar todas as etapas necessárias para que o processo seja feito de forma adequada.

Como mostram essas recomendações, para ser elegível a um tratamento de fertilidade é necessário ter um sinal real de esterilidade e estar disposto a realizar o processo. Ou seja, encontrar a causa do problema, concordar com as etapas e escolher um tratamento que se adeque às condições do casal.

Sendo assim, se você possui esses pré-requisitos, pode marcar uma consulta com um especialista na área para descobrir o que está atrapalhando suas tentativas de engravidar.

Agora que você sabe quais são os pré-requisitos para ser elegível a um tratamento de fertilidade, confira também quanto tempo pode durar esse tipo de procedimento

 

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Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).