Quanto tempo esperar entre os ciclos de fertilização In vitro?

Fertilização in vitro

A fertilização in vitro é um dos tratamentos para engravidar mais comuns e mais eficazes também. Em média, as taxas de sucesso chegam a 55% por tentativa, chegando ao dobro de chances se comparado a uma gravidez que ocorre de forma espontânea, que tem incidência positiva de 20%. Contudo, um resultado satisfatório depende de inúmeros fatores e quando isso não acontece, a recomendação é uma nova tentativa. Mas, você sabe dizer quanto tempo é preciso esperar entre um ciclo e outro? Falaremos um pouco mais sobre isso a seguir. Confira.

Quando a primeira tentativa não dá certo

Para que a fertilização in vitro dê certo e a gravidez se concretize, é preciso que as condições sejam favoráveis, assim como deve ser em uma gravidez que ocorre naturalmente.

Assim, uma gravidez bem-sucedida depende de embriões saudáveis e sem deformidades e exige que o organismo da mulher esteja em boas condições para receber e acolher esse embrião. Qualquer alteração pode impedir a fixação do embrião no útero ou gerar um aborto espontâneo.

Quando a primeira tentativa de gravidez não tem um resultado positivo, o primeiro passo é identificar as causas dessa falha. O médico faz uma avaliação para diagnosticar o que houve de errado e sugere uma nova investida, com a correção dos problemas encontrados no tratamento anterior.

Desta forma, o médico pode pedir novos exames, fazer novos testes e investigar mais a fundo as causas da infertilidade no casal. É de extrema importância fazer esse novo levantamento de dados para que todas as possíveis causas sejam, de fato, eliminadas ainda na fase anterior ao implante do embrião.

Controlando a ansiedade

É importante deixar claro que o fato de um procedimento não ter dado certo não significa que a causa daquele impedimento ocorrerá novamente nas próximas tentativas. Também não quer dizer que a mulher jamais poderá ter filhos.

É muito comum que o casal tente achar culpados para a falha da gravidez, tenha picos de estresse ou perca a esperança de um dia ter filhos.

Apesar de ser uma reação normal e compreensível, esse tipo de sentimento não deve ser estimulado ou alimentado porque pode prejudicar ainda mais as tentativas futuras, além de não ser, de fato, uma interpretação real dos fatos. Não há um único culpado, mas um conjunto de fatores que podem estar atrapalhando a realização desse sonho.

Apesar da alta taxa de fertilidade da FIV, não podemos esquecer do outro lado: a porcentagem que não alcançou o resultado esperado. Por isso, cada caso deve ser avaliado na sua individualidade com a intenção de descobrir onde está o erro e fazer o possível para saná-lo o mais breve possível.

Quanto tempo esperar entre uma tentativa e outra?

Após um procedimento que não deu certo, o médico recomenda que o casal faça uma nova tentativa de engravidar. E, para isso, não é preciso esperar muito. No mês seguinte já é possível fazer um novo ciclo de fertilização in vitro.

Contudo, é preciso avaliar com ainda mais cuidado todas as condições para um novo tratamento, aumentando as chances de tudo sair como o desejado. O que deve ser observado na próxima tentativa de engravidar:

Idade da mulher

À medida que a mulher envelhece, a quantidade de óvulos que ela possui diminui, bem como a qualidade deles, o que atrapalha a fecundação e impede uma gestação saudável.

Embrião com boas condições

Óvulos de mulher em idade avançada costumam ser mais frágeis e, mesmo após a fecundação pelo espermatozoide, o embrião pode apresentar alguma alteração nos cromossomos, impedindo o seu desenvolvimento dentro do útero.

Endométrio receptivo ao embrião

A transferência do embrião para o útero precisa ocorrer durante a fase em que haja uma boa recepção do endométrio. Do contrário, o embrião é rejeitado e não consegue se fixar na parede uterina. 

Para evitar essa rejeição, a equipe médica deve observar se há a presença de algum problema no órgão como mioma, cisto, endometriose ou qualquer tipo de inflamação impedindo o avanço do processo.

A segunda tentativa pode ser mais eficaz do que a primeira. Por quê?

Sim, há razões para que a segunda tentativa da fertilização in vitro seja mais eficiente do que o primeiro procedimento. Essa afirmação reitera a necessidade do casal em continuar tentando e não desistir diante do primeiro obstáculo. Veja o porquê:

  • O médico já sabe o que não deu certo na primeira vez e tomará todos os cuidados para que tal problema não se repita no próximo procedimento, podendo mudar os medicamentos utilizados ou, até mesmo, a técnica realizada;
  • O casal também poderá corrigir alguns erros cometidos durante o tratamento. Poderão melhorar a alimentação, largar o cigarro e a bebida, fazer atividades físicas, controlar o estresse e a ansiedade, que também são fatores impeditivos da gestação;
  • O estímulo de óvulos ocorrido na primeira tentativa pode permanecer por mais tempo e se estender até o próximo ciclo, aumentando a quantidade de óvulos liberados no mês seguinte.

Por isso, o médico tem total segurança para sugerir uma nova tentativa, uma vez que existem chances reais desse procedimento dar certo e o casal conseguir engravidar, da forma como deseja.

Qual é o limite de tentativas?

Não existe uma quantidade de tentativas de fertilização in vitro permitidas ao casal. O que deve ser levado em conta são as características de cada um, suas condições de saúde, seus desejos, os motivos das falhas e a presença de chances reais da gravidez dar certo.

A fertilização in vitro, assim como todo tratamento para engravidar, não é um jogo de sorte e de tentativas aleatórias. Todas as etapas são realizadas de forma planejada, de acordo com as singularidades de cada casal e após avaliações minuciosas de cada procedimento realizado.

A fertilização in vitro é um dos métodos para engravidar mais utilizados porque possui ótimas taxas de resultados positivos. Contudo, é possível que o procedimento não ocorra como o esperado e o casal tenha que se deparar mais uma vez com uma nova tentativa. Felizmente, não é preciso esperar muito tempo para realizar o sonho de ter um filho e, no mês seguinte, já é possível dar início a um novo tratamento, dessa vez, com maiores chances de dar certo.

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Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).