Quando a inseminação pode ser necessária?

inseminação artificial

Após algumas tentativas de engravidar, sem sucesso, o casal começa a pensar na possibilidade de aderir a um tratamento de inseminação artificial. É natural que a ansiedade e o desejo de engravidar rápido despertem o desejo de logo partir para uma intervenção médica. Sabemos que a inseminação artificial é um método com ótimos resultados no alcance da gravidez. Mas, quando, de fato, a inseminação pode ser necessária? Será que ela deve ser escolhida para todo e qualquer caso?

 

O que é infertilidade?

Antes de falarmos sobre a inseminação artificial, é fundamental trazer o conceito correto de infertilidade. Dizemos que um casal está com problemas de fertilidade quando ele tenta engravidar após várias tentativas e depois de um determinado período de tempo.

Casais jovens podem engravidar de forma natural em até um ano de tentativas. Casais em que a mulher tenha mais de 35 anos têm um prazo menor, cerca de seis meses. E quando a mulher tem 40 ou mais, há a necessidade de investir em um tratamento de fertilidade, pois a produção de óvulos é quase inexistente.

Lembrando que a infertilidade masculina é tão comum quanto a feminina. Cerca de 40% de todos os casos de infertilidade são causados por questões masculinas, outros 40% por problemas femininos e os 20% restantes não têm causa definida.

O que é inseminação artificial?

A inseminação artificial é um tipo de tratamento de infertilidade, com baixa complexidade, indicado quando a gravidez não acontece naturalmente. Consiste na introdução de espermatozoides no útero da mulher, para que ocorra a fecundação.

Antes, a mulher passa por uma estimulação ovariana para que o óvulo seja liberado no tempo determinado pelo médico. Enquanto isso, o homem tem o seu sêmen recolhido, do qual são extraídos os melhores espermatozoides.

Além de tratar problemas de infertilidade, a inseminação artificial é uma opção para garantir uma gravidez tardia e também para que uma mulher possa gerar um filho sem a interação física com um homem.

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Quando a inseminação pode ser necessária?

Em primeiro lugar, quem pode indicar o melhor método de reprodução assistida é o médico ginecologista. Ele faz a indicação de acordo com o problema apresentado pelo homem ou pela mulher e após a avaliação completa dos dois pacientes. Em todo caso, existem algumas situações para as quais a inseminação é mais indicada:

Mulheres com menos de 35 anos, sem alterações nas trompas

Por que mulheres com menos de 35 anos? Porque as mulheres jovens possuem uma ovulação mais frequente. À medida que o tempo passa, o número de óvulos vai diminuindo, sendo cada vez mais difícil uma fecundação de forma natural.

Além disso, para aderir a um procedimento de inseminação artificial, é necessário que a mulher tenha, ao menos, uma trompa funcionando corretamente. 

É nas trompas que acontece o encontro do óvulo com o espermatozoide. Logo, se houver qualquer tipo de obstrução, a fecundação não tem como acontecer.

Esse é um exemplo claro que mostra a importância da realização de exames completos que permitam a visualização e a verificação de todas as funcionalidade dos órgãos internos da mulher. Do contrário, o resultado pode de um tratamento incompleto pode ser bem frustrante.

Mulheres que desejam uma gestação independente

Mulheres que desejam ser mães sem a participação direta do homem também encontram na inseminação artificial uma forma de realizar este sonho. Como vimos, na inseminação o espermatozoide é injetado no útero da mulher. Então, não há necessidade de relação sexual e nem de saber de quem veio aquele gameta masculino.

Mulheres férteis que formam casais homoafetivos

Quando duas mulheres homoafetivas decidem engravidar, elas também podem optar pela inseminação artificial. Nesse caso, uma delas é a escolhida para gerar o bebê, uma escolha que deve levar em conta não só o desejo pessoal, mas também as condições de saúde.

Casais jovens ou não, cujo problema de infertilidade não seja identificado

Mesmo após uma extensa avaliação da saúde do casal, é possível que o médico não descubra o que, de fato, esteja atrapalhando a gravidez pelo ato sexual. Então, ele pode optar pela inseminação artificial, aumentando as chances da gestação.

Mulheres com ovulação irregular

Como já falamos algumas vezes aqui, mulheres com ciclos irregulares não conseguem identificar o seu período fértil e não sabem quando estão ovulando, dificultando a fecundação pelo modo tradicional.

Uma das fases da inseminação artificial é a estimulação ovariana. Ou seja, a mulher recebe alguns estimulantes para que seja capaz de liberar o óvulo dentro do período desejado pelo médico que, geralmente, é em torno de 36 horas após esse processo.

Dentro dessa janela de tempo, o espermatozoide é introduzido no útero onde, em breve, encontrará o óvulo e poderá iniciar uma gestação.

Homens com problemas relacionados ao sêmen

Como vimos, homens também apresentam problemas de fertilidade, com uma grande variedade de diagnósticos. Os mais comuns são:

  • Produção de espermatozoides de baixa qualidade;
  • Produção insuficiente de espermatozoides;
  • Dificuldade ou impossibilidade de ejacular dentro do útero da mulher;
  • Ejaculação retrógrada: quando o sêmen é lançado para trás e não para frente, como o esperado;
  • Problemas relacionados à disfunção erétil, como impotência sexual ou dificuldades de ereção por uso de drogas ou por complicações de doenças;

Congelamento de gametas para concepções futuras

A inseminação artificial também é indicada quando o homem ou a mulher desejam congelar os seus gametas pensando em uma concepção futura, o que costuma acontecer nas seguintes situações:

  • Quando o homem ou a mulher iniciam o tratamento contra o câncer através de quimioterapia;
  • Quando o homem pretende realizar uma vasectomia ou alguma cirurgia nos testículos que possam comprometer a qualidade dos seus espermatozoides;
  • Quando a gravidez não é desejada naquele momento, mesmo que não haja nenhum problema biológico que impeça a fecundação, o que deverá acontecer com o avançar da idade.

Além de todas essas indicações, a inseminação artificial também é uma opção para casos em que o canal vaginal é muito ácido e interfere no tempo de vida do espermatozoide.

Como vimos, a inseminação artificial pode ser necessária em casos específicos envolvendo a infertilidade masculina ou feminina e também abrange escolhas pessoais, como a gravidez em uma relação homoafetiva e a produção independente. Em todos esses casos, e em muitos outros, é fundamental o acompanhamento do médico em todas as etapas da busca pela gravidez. Apenas após uma avaliação aprofundada e precisa da saúde e características do paciente, o médico pode traçar um objetivo e as melhores formas de alcançá-lo.

 

Veja também: Qual é a taxa de sucesso da inseminação artificial?

Os 3 principais tratamentos para engravidar.

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Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).