Pular para o conteúdo

10 hábitos simples para evitar corrimentos e proteger sua saúde íntima

O que achou? post

Por que cuidar da saúde íntima é mais fácil do que parece

Cuidar da sua saúde íntima não precisa ser complicado nem cheio de regras. Pequenas mudanças na rotina fazem uma diferença enorme na prevenção do corrimento vaginal e na manutenção do bem-estar. O segredo está em compreender como a região funciona, respeitar o equilíbrio natural e evitar hábitos que favoreçam fungos e bactérias. Com escolhas simples — desde como lavar a calcinha até o que vestir e comer — você pode evitar incômodos, odores e coceira, e ainda reduzir o risco de infecções. Nas próximas seções, você vai aprender como identificar o que é normal, quando buscar ajuda e, principalmente, os 10 hábitos essenciais para proteger sua saúde íntima com segurança e praticidade.

Entenda seu corpo: o que é normal e o que não é

A vagina tem um sistema de proteção próprio que inclui uma flora rica em lactobacilos e um pH naturalmente ácido (em torno de 3,5 a 4,5). Esse ambiente saudável impede a proliferação de microrganismos que causam infecções. Por isso, alguma secreção é natural e desejável. O excesso de limpeza, roupas abafadas, uso de antibióticos sem necessidade e o contato com produtos perfumados podem desequilibrar essa defesa, favorecendo o corrimento vaginal patológico.

Quando o corrimento é fisiológico (normal), tende a ser claro ou esbranquiçado, de leve a moderado volume, sem odor forte e sem coceira ou ardor. Ele pode variar ao longo do mês, aumentando nos dias que antecedem a ovulação. Qualquer mudança brusca no padrão — como cor, cheiro, quantidade e sintomas associados — merece atenção.

O que é fisiológico

– Cor: transparente a esbranquiçado, podendo ficar mais espesso em algumas fases do ciclo
– Odor: discreto ou praticamente inexistente
– Sensação: sem coceira, ardor ou dor
– Volume: varia conforme hormônios, estresse e atividade física

Tipos comuns de corrimento

– Vaginose bacteriana: responde por cerca de 40% das queixas de corrimento. Em geral, secreção acinzentada com odor forte (que pode piorar após relação sexual). Não é IST, mas surge por desequilíbrio do pH.
– Candidíase: muito frequente. Secreção esbranquiçada em grumos (aspecto tipo “leite coalhado”), sem cheiro forte. Coceira intensa, sensação de “fisgadas” e inchaço na vulva são comuns.
– Tricomoníase: é uma IST causada por um protozoário (Trichomonas). Pode causar secreção amarelada a esverdeada, ardência e vermelhidão. No parceiro, pode ser assintomática, levando a reinfecções se não for tratado. Em casos não tratados, pode evoluir para doença inflamatória pélvica e risco de infertilidade.

Saber diferenciar ajuda a agir no tempo certo. Ainda que muitos episódios sejam leves e autolimitados, evite a automedicação. Se houver sinais de alerta, procure avaliação ginecológica.

10 hábitos simples que previnem o corrimento vaginal

Os hábitos abaixo reduzem a umidade excessiva, preservam o pH vaginal e impedem o crescimento exagerado de fungos e bactérias. São medidas práticas que você pode começar hoje.

Higiene inteligente (sem exageros)

1. Não deixe a calcinha secar no banheiro
O ambiente úmido do box ou do banheiro atrasa a secagem e favorece fungos no tecido. Se lavar no banho, tudo bem — mas retire a peça e seque-a ao ar livre, de preferência ao sol. O sol ajuda a reduzir a umidade e atua como aliado natural contra microrganismos.

2. Lave as calcinhas com sabão neutro
Evite usar o sabonete de banho para “ensaboar” as peças. Prefira sabão neutro ou detergentes suaves de máquina, bem enxaguados, para não deixar resíduos que irritam a pele. Evite amaciantes perfumados em contato direto com a região íntima.

3. Higienize a vulva apenas 1 a 2 vezes ao dia
“Menos é mais” na higiene íntima. Lavar excessivamente remove a proteção natural, alterando o pH e deixando a região vulnerável. Use água e sabonete suave na vulva (parte externa). Não faça duchas internas nem use produtos perfumados ou antissépticos sem indicação médica.

Roupas e rotina que deixam a região respirar

4. Evite protetores diários de calcinha
O protetor diário abafa e mantém a umidade, criando um ambiente propício para candidíase. Se precisar usar em um dia específico, troque com frequência e escolha versões respiráveis. Mas, na rotina, prefira não usar.

5. Diga não às calças muito apertadas e tecidos sintéticos
Roupas justas e sintéticas aumentam calor e atrito, irritando a pele e desequilibrando a flora. Prefira tecidos leves e respiráveis, especialmente em dias quentes e durante longos períodos sentada. Em treinos, escolha peças com boa ventilação e tecnologia dry-fit.

6. Priorize calcinhas de algodão (com forro de algodão)
O algodão permite a troca de ar e reduz a umidade local. Verifique se o forro (o “fundinho”) é de algodão, mesmo em peças mescladas com renda. Isso ajuda a prevenir o corrimento vaginal causado por fungos, especialmente em mulheres com episódios de repetição.

7. À noite, durma com calcinha folgada ou sem calcinha
Diminuir o abafamento noturno é um reforço simples para sua saúde íntima. Se preferir usar, escolha uma calcinha de algodão soltinha. Se se sentir confortável sem, melhor ainda: a região “respira” e você reduz a umidade contínua.

Sexo e proteção

8. Use camisinha em todas as relações
A camisinha protege contra ISTs, incluindo a tricomoníase, que pode causar corrimento e reinfecções quando o parceiro não é tratado. Além da proteção, o preservativo ajuda a manter o pH equilibrado. Use lubrificante à base de água se necessário para reduzir atrito e microfissuras.

Alimentação e estilo de vida

9. Reduza açúcar e carboidratos simples, e cuide da imunidade
Excesso de açúcar favorece a candidíase. Dê preferência a uma dieta rica em fibras, legumes, verduras e proteínas. Iogurtes com fermentos vivos e alimentos fermentados podem ajudar a flora intestinal, que dialoga com a saúde íntima. Hidrate-se bem e evite antibióticos sem orientação, pois eles alteram a microbiota.

10. Troque a roupa molhada logo após praia, piscina ou treino
Ficar com biquíni, maiô ou roupa de academia úmida por muito tempo aumenta a umidade local e o risco de fungos. Ao sair da água ou terminar o exercício, troque a peça molhada por uma seca o quanto antes. Leve uma muda extra na bolsa para facilitar.

Dica extra para o dia a dia: mantenha uma pequena nécessaire com uma calcinha extra, lenços umedecidos sem fragrância (para uso eventual na pele externa) e um saquinho para roupas molhadas. Organização evita improvisos que podem prejudicar a saúde íntima.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento

Nem todo corrimento requer consulta imediata, mas há sinais que pedem avaliação profissional. O objetivo é diagnosticar rapidamente, tratar corretamente e evitar complicações, como dor pélvica persistente ou recorrência.

Sintomas que exigem atenção

– Odor forte e persistente, especialmente cheiro “peixe”
– Mudança repentina na cor: acinzentada, esverdeada ou amarelada intensa
– Coceira intensa, ardor ao urinar ou ao vestir roupas
– Dor durante a relação sexual (dispareunia)
– Vermelhidão e inchaço na vulva com desconforto significativo
– Febre, dor pélvica ou corrimento com sangue fora do período menstrual
– Recorrência frequente de episódios (por exemplo, candidíase de repetição)

Se você iniciou ou trocou um método contraceptivo, usou antibióticos recentemente ou teve uma nova parceria sexual, informe seu médico — esses fatores podem influenciar o quadro.

Como o médico investiga

– Entrevista clínica completa: histórico de sintomas, ciclo menstrual, hábitos de higiene, uso de medicamentos, vida sexual
– Exame ginecológico e coleta de secreção: avaliação do pH, microscopia e testes rápidos quando disponíveis
– Exames laboratoriais: para confirmar agentes como Candida, Gardnerella (associada à vaginose bacteriana) e Trichomonas
– Condutas: tratamento direcionado (cremes, comprimidos ou ambos), orientação ao parceiro quando necessário e recomendações de prevenção

Evite automedicação. O tratamento incorreto pode mascarar sintomas, piorar o desequilíbrio do pH e contribuir para a persistência do corrimento vaginal.

Mitos e verdades sobre corrimento vaginal

Informação confiável evita práticas que, apesar de populares, prejudicam a saúde íntima. Confira alguns pontos essenciais.

– “Toda secreção é sinal de doença.”
Mito. Existe secreção fisiológica que é normal e saudável. Observe o padrão do seu corpo e os sintomas associados.

– “Quanto mais eu lavar, mais limpa estarei.”
Mito. Excesso de limpeza remove a barreira protetora e pode aumentar o risco de infecções e corrimento vaginal.

– “Protetor diário é inofensivo e pode ser usado sempre.”
Mito. O uso contínuo abafa a região e favorece fungos. Se usar em situações pontuais, troque com frequência.

– “Candidíase sempre tem cheiro forte.”
Mito. Em geral, a candidíase não tem odor forte; o que predomina é coceira intensa e corrimento branco em grumos.

– “Vaginose bacteriana é IST.”
Mito. A vaginose bacteriana está mais ligada ao desequilíbrio do pH e da flora; não é, por si só, uma IST.

– “Se meu parceiro não tem sintomas, não precisa tratar.”
Mito (em algumas condições). Na tricomoníase, o parceiro pode ser assintomático e ainda assim reinfectar. O tratamento do casal é essencial.

– “Calcinhas de algodão realmente fazem diferença.”
Verdade. Ajudam a ventilar, reduzem a umidade e diminuem o risco de fungos.

– “Dieta rica em açúcar piora candidíase.”
Verdade. Açúcares simples alimentam o crescimento de Candida em situações de desequilíbrio.

– “Roupa molhada por muito tempo causa problema.”
Verdade. A umidade prolongada favorece fungos e pode precipitar episódios de corrimento vaginal.

Coloque em prática hoje mesmo

Cuidar da sua saúde íntima passa por entender os sinais do seu corpo e cultivar uma rotina que respeite o equilíbrio natural da vagina. Você aprendeu que o pH ácido e a flora com lactobacilos protegem contra infecções, que a secreção fisiológica é normal e que mudanças no volume, cor, odor e sintomas apontam quando é hora de investigar. Viu também que a vaginose bacteriana é comum e tem odor marcante, que a candidíase costuma coçar muito e formar “gruminhos” e que a tricomoníase é uma IST que precisa de tratamento do casal.

Os 10 hábitos preventivos — secar calcinhas ao sol, usar sabão neutro, higiene sem exageros, evitar protetor diário, fugir de roupas apertadas, escolher algodão, dormir com menos abafamento, usar camisinha, reduzir açúcar e trocar roupa molhada rapidamente — formam um plano simples, prático e eficiente para evitar o corrimento vaginal. Basta incorporá-los ao seu dia a dia para reduzir incômodos e reforçar sua proteção íntima.

Dê o próximo passo agora:
– Escolha três hábitos desta lista para implementar hoje (por exemplo, ajustar a higiene, trocar o tipo de calcinha e revisar o uso do protetor diário).
– Monte um kit íntimo na bolsa: calcinha extra, saquinho para roupa molhada e lenços sem fragrância para eventualidades.
– Marque uma consulta preventiva se você teve episódios repetidos, odor forte ou desconforto. Leve anotações sobre sintomas, datas e fatores desencadeantes.

Quanto mais cedo você ajustar pequenas rotinas, mais rápido notará conforto, confiança e equilíbrio. Seu bem-estar íntimo começa com escolhas simples — e consistentes — que cabem na sua vida.

Juliana Amato, ginecologista, apresenta dez dicas para prevenir corrimentos vaginais. Ela explica que a secreção vaginal é normal e importante para a saúde, mantendo o pH ácido que protege contra infecções. Alterações no pH podem ocorrer devido a antibióticos, excesso de higiene, uso de protetores de calcinha, roupas apertadas e doenças sexualmente transmissíveis. Os tipos comuns de corrimento incluem vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase, cada um com características específicas. As dicas para prevenção incluem: não deixar calcinhas úmidas no banheiro, usar sabonete neutro para lavá-las, lavar a região íntima de uma a duas vezes ao dia, evitar protetores de calcinha, não usar roupas apertadas, optar por calcinhas de algodão, usar camisinha para proteção, manter uma alimentação saudável, dormir com roupas íntimas confortáveis e não ficar com roupas de banho úmidas por muito tempo.

Dra. Juliana Amato

Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).

>