Autismo, Infertilidade e Procedimentos de Fertilização In Vitro – “Não há Risco Associado de Autismo”

e a Fertilização in Vitro (FIV)

Se você já se perguntou se e como os procedimentos do tratamento de fertilidade afetam o embrião, que esperamos que se torne um bebê, aqui estão algumas respostas, pelo menos quando se trata de autismo. Dra. Juliana Amato, Diretora da Clinica de Reprodução Humana, dissipa a maioria dos medos que os procedimentos de fertilização in vitro FIV podem adicionar ao risco de autismo. Fale com um dos especialistas em fertilidade do Centro de Medicina Reprodutiva  para saber mais sobre tratamento de fertilidade e riscos de autismo.

FIV e Autismo – Quais são os Riscos?

Quais procedimentos de FIV parecem aumentar o risco de autismo?

Dra Juliana: A grande notícia é que esse novo estudo não encontrou nenhum risco de autismo associado com a grande maioria dos procedimentos de FIV. A única exceção foi a obtenção cirúrgica de esperma. Mesmo nela, o aumento global do risco foi modesto e desapareceu completamente quando os pesquisadores excluíram gravidezes que resultaram em prematuros ou nascimentos múltiplos (gêmeos, trigêmeos, etc.).

Nós sabemos, por estudos anteriores, que a idade da mulher, prematuros e nascimentos múltiplos podem levar à um aumento do risco de autismo, independentemente se eles resultam de uma concepção natural ou de uma FIV. Aqui estamos considerando a FIV.

O que podemos fazer com essa nova informação sobre o risco de autismo e a extração cirúrgica de esperma?

Dra. Juliana: Você pode querer compartilhar essas descobertas com o seu médico como parte de uma maior discussão sobre riscos. Se você está considerando FIV com obtenção cirúrgica de esperma, você provavelmente passou por rodadas e rodadas de exames e tratamentos. Da minha perspectiva, o modesto risco de autismo é compensado pela enorme vantagem de ter um filho. Mas converse com o seu médico especialista em infertilidade. Ele ou ela podem ter conselhos específicos para a sua situação. Por exemplo, você pode querer considerar o histórico de autismo da sua família ou os resultados de quaisquer testes genéticos que você tenha feito quando você começou o tratamento de fertilidade. Importante, siga os conselhso do seu médico para manter uma gravidez saudável. Vá para suas consultas de pré-natal regularmente, e tome as suas vitaminas conforme orientado pelo seu obstetra.

Enquanto o autismo é certamente um diagnóstico com o qual se pode viver, saber que a Fertilização In Vitro pode aumentar o risco não era a notícia que queríamos ouvir. Assim como podemos diminuir a transmissão de genes difíceis através do Diagnóstico Genético Pré-Implantação (PGD/PGS), é maravilhoso saber que nós não estamos aumentando as chances de autismo ao mesmo tempo.

 

 

Artigo citado: Cedars MI. In Vitro Fertilization and Risk of Autistic Disorder and Mental Retardation. JAMA. 2013;310(1):42-43. doi:10.1001/jama.2013.7223

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Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).