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Fertilização in vitro com Ciclo Natural

A fertilização in vitro com ciclo natural é uma opção menos invasiva em comparação com o procedimento convencional, pois não utiliza medicamentos para estimular a ovulação. Em vez disso, ele se baseia na coleta do único óvulo produzido e selecionado pelo próprio organismo da mulher durante um ciclo natural. Embora tenha uma taxa de sucesso mais baixa do que a fertilização in vitro com estimulação ovariana, este tratamento é menos complexo para o corpo, tem um custo mais baixo e pode ser uma opção para casos específicos e problemas.

Sumário

Quando o ciclo natural é indicado?

A fertilização in vitro (FIV) com ciclo natural pode ser uma opção para pessoas que não podem tomar os medicamentos usados para estimular a ovulação, como aquelas com câncer hormônio-dependente. Ela também pode ser uma alternativa para mulheres com idade avançada ou reserva ovariana limitada, que não respondem bem aos estímulos ovarianos comuns na FIV ou produzem embriões de baixa qualidade após a fertilização de vários óvulos. A FIV com ciclo natural é geralmente recomendada para pacientes com baixa reserva ovariana, enquanto a FIV com estimulação ovariana é mais adequada para aqueles com uma boa reserva ovariana.

Quais são as vantagens do ciclo natural?

Embora seja menos eficaz estatisticamente em comparação com a fertilização in vitro com estimulação, a fertilização in vitro que se inicia pelo ciclo natural pode apresentar diversos benefícios. As mulheres que são submetidas a esse tratamento, por exemplo, não precisam enfrentar os efeitos colaterais no organismo, que podem ocorrer em aquelas que receberam aplicações hormonais. Isso diminui o risco de síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO), que ocorre quando o corpo da paciente apresenta uma resposta exagerada à estimulação ovariana, o que pode levar a complicações no tratamento. A SHO pode ocorrer na sua forma mais intensa em apenas 1% das pacientes estimuladas, mas atualmente há métodos eficazes para evitar e controlar essa síndrome.

Outra vantagem apontada por defensores do ciclo natural é que ele pode resultar em óvulos de melhor qualidade, uma vez que eles são desenvolvidos e selecionados naturalmente, o que reduz as chances de produzir embriões com malformações cromossômicas. No entanto, é importante notar que a chance de nascer com alterações cromossômicas tanto nas fertilizações in vitro de ciclos naturais quanto nas estimuladas é a mesma daquelas obtidas espontaneamente na população geral. Portanto, essa é uma vantagem não comprovada cientificamente e é apenas uma teoria ou uma vantagem esperada.

Outro ponto positivo é o custo menor do tratamento, já que as doses hormonais geralmente representam uma parte significativa do investimento em tratamentos de reprodução humana. No entanto, é importante lembrar que, apesar das várias vantagens mencionadas, apenas um especialista pode indicar qual é o melhor caminho para a fertilização in vitro de acordo com a condição e o quadro de cada paciente.

Diferença de ciclo natural x ciclo natural modificado

Como já foi explicado, a fertilização in vitro com ciclo natural é realizada no laboratório da mesma forma que a fertilização in vitro com ciclo estimulado convencional. A principal diferença é que a mulher não é submetida à estimulação ovariana e a equipe de embriologistas utiliza apenas um único óvulo no procedimento laboratorial. No ciclo natural modificado, o tratamento segue o mesmo processo rigorosamente, mas com uma pequena modificação. Quase no final do processo de foliculogênese, que é monitorado por um médico através de ultrassonografias, é administrada uma dose de hormônio antagonista do GnRh (Cetrotide, Orgalutram ou similares). O objetivo é impedir uma ovulação prematura e o cancelamento do ciclo, o que diminuiria a eficiência desse tipo de tratamento.

Armazenamento de embriões

Para aumentar as chances de gravidez com a fertilização in vitro de ciclo natural, alguns médicos recorrem à congelação de óvulos. Nesse caso, os óvulos são coletados em duas ou três estimulações diferentes, que podem ou não ocorrer em meses consecutivos, para serem congelados e, posteriormente, fertilizados e transferidos em um único procedimento. Usando essa opção e sem a necessidade de medicamentos para estimular a ovulação, é possível reunir um maior número de embriões em uma única transferência.

Passo a passo da fertilização in vitro com ciclo natural

 

Ginecologista com paciente no consultório

1 – Acompanhamento

Próximo do sétimo dia do ciclo menstrual da mulher, um dos folículos se desenvolve mais do que os outros, crescendo 2 a 3 mm por dia e alcançando uma média de 17 a 27 mm de diâmetro no dia da ovulação. O controle dessa ovulação por meio de ultrassonografias consecutivas ajuda os médicos a determinar o melhor momento para realizar a punção dos folículos.

2 – Coleta do óvulo

Para coletar o líquido dos folículos ovarianos, é utilizada uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom. O procedimento é realizado sob leve sedação e geralmente leva entre 15 e 30 minutos. Quando o óvulo é identificado, ele é colocado em um recipiente especial para incubar.

3 – Coleta e seleção de espermatozóides

O processo de coleta de espermatozoides é realizado por masturbação, em uma sala privada da clínica, para evitar a contaminação externa e agilizar o tratamento da amostra. As amostras obtidas são processadas em laboratório, incluindo a seleção dos espermatozoides mais móveis e de forma mais normal, o que se espera serem os mais saudáveis.

Fertilização in vitro

4 – Fertilização

Após o preparo do óvulo e dos espermatozoides, eles são colocados em contato em um meio de cultura específico para que a fertilização ocorra no laboratório. Durante um período de cerca de 18 a 24 horas, eles ficam em uma incubadora especial, equipamento que mantém a mesma temperatura e outras condições do corpo da mulher.

5 – Transferência de embriões

Entre dois e cinco dias, o embrião está pronto para a transferência, que é realizada com o uso de um cateter delicado. O teste de gravidez pode ser feito entre 12 e 15 dias depois da transferência.

Conclusão

A fertilização in vitro com ciclo natural é um tipo de tratamento de reprodução assistida que não utiliza medicamentos para estimular a ovulação. A ideia é que o óvulo escolhido pelo organismo materno para uma ovulação espontânea, apesar de ser único, seja o melhor para ser fertilizado e gerar uma nova vida. Portanto, o procedimento se baseia na coleta deste único óvulo produzido e selecionado pelo organismo, em vez de vários óvulos coletados após a estimulação ovariana. Embora tenha uma taxa de sucesso menor quando comparado com a fertilização in vitro com estimulação ovariana, o tratamento é menos complexo para o corpo da mulher, tem menor custo e pode ser uma alternativa para casos específicos, como mulheres com idade avançada ou baixa reserva ovariana, mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente ou que produzem embriões de má qualidade após a fertilização in vitro com estimulação. A fertilização in vitro com ciclo natural também pode ter vantagens como menos efeitos colaterais no organismo, menor risco de síndrome da hiperestimulação ovariana e possível melhor qualidade do óvulo. No entanto, é importante lembrar que apenas um especialista pode indicar qual é o melhor caminho para a fertilização in vitro de acordo com a condição e o quadro de cada paciente. Além disso, é importante lembrar que a fertilização in vitro com ciclo natural pode ter uma taxa de sucesso menor em comparação com a fertilização in vitro com estimulação, e que é preciso avaliar os prós e contras de cada opção com o auxílio de um profissional de saúde especializado.

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Dra. Juliana Amato

Líder da equipe de Reprodução Humana do Fertilidade.org Médica Colaboradora de Infertilidade e Reprodução Humana pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado Lato Sensu em “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida” pela Faculdade Nossa Cidade e Projeto Alfa. Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Titulo de especialista pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e APM (Associação Paulista de Medicina).

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