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Infertilidade feminina em 2026 — quais exames fazer e quem pode ajudar

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Por que investigar cedo: o panorama de 2026

Engravidar é um projeto de vida, e quando a gestação não acontece no tempo esperado, surgem dúvidas, ansiedade e muitas informações desencontradas. A boa notícia é que, em 2026, temos caminhos claros e exames precisos para entender rapidamente o que está acontecendo. Ao investigar de forma estruturada, é possível identificar fatores tratáveis e encurtar o tempo até a gravidez. Se você está preocupada com a infertilidade feminina, este guia apresenta, de forma prática e objetiva, quais exames solicitar, quando procurar ajuda especializada e como se preparar para cada etapa. Entenda o passo a passo e transforme a incerteza em um plano de ação eficiente.

Quando procurar ajuda

– Menores de 35 anos: após 12 meses de tentativas sem sucesso.
– 35 anos ou mais: após 6 meses de tentativas.
– Procure já: ciclos muito irregulares, ausentes ou dolorosos; histórico de endometriose; cirurgias pélvicas prévias; doença inflamatória pélvica; abortos de repetição; quimioterapia/radioterapia; diagnóstico de SOP; suspeita de alterações tireoidianas ou hiperprolactinemia.
– Avaliação do casal: sempre incluir espermograma do parceiro, pois o fator masculino está presente em até 40–50% dos casos.

Exames essenciais na infertilidade feminina: reserve bem o tempo e o ciclo

Entender a reserva ovariana e o padrão de ovulação é a base da investigação. Esses exames ajudam a prever resposta a tratamentos e orientam o melhor timing das tentativas.

Dosagens hormonais: o que pedir e quando

– Dia 2–5 do ciclo (fase folicular inicial):
– FSH, LH e estradiol: indicam como a hipófise e os ovários se comunicam e ajudam a estimar a reserva.
– TSH e T4 livre: distúrbios da tireoide podem afetar a ovulação e a implantação.
– Prolactina: níveis altos podem inibir a ovulação.
– Qualquer dia do ciclo:
– Hormônio antimülleriano (AMH): reflete a reserva ovariana com pouca variação ao longo do ciclo e auxilia no planejamento de curto e médio prazo.
– Fase lútea (cerca de 7 dias após a ovulação):
– Progesterona: confirma se houve ovulação adequada; níveis baixos podem sugerir falhas na fase lútea.

Dicas práticas:
– Idealmente, colete os exames no mesmo laboratório para facilitar a comparação.
– Registre datas do ciclo e sintomas (dor, sangramento intermenstrual) junto aos resultados.
– Não interrompa medicações hormonais sem orientação; informe tudo à equipe.

Ultrassom transvaginal com contagem de folículos antrais (CFA)

– O que é: avaliação do número de pequenos folículos visíveis nos ovários, geralmente entre os dias 2 e 5 do ciclo.
– Por que importa: a CFA, somada ao AMH, é um dos melhores preditores de reserva e de resposta a estímulos ovarianos em tratamentos de reprodução.
– O que observar no laudo: contagem total por ovário, volume ovariano, presença de cistos (como endometriomas), sinais de SOP (estroma aumentado, padrão multifolicular), espessura endometrial e pólipos uterinos.

Trompas e útero: como avaliar estrutura e permeabilidade

A integridade das trompas de Falópio e a anatomia uterina são cruciais para que óvulo e espermatozoide se encontrem e o embrião se implante.

Histerossalpingografia (HSG) e alternativas modernas

– Histerossalpingografia (HSG): raio-X com contraste para avaliar se as trompas estão pérvias e o contorno da cavidade uterina.
– Vantagens: amplamente disponível; padrão consagrado para avaliar permeabilidade tubária.
– Pontos de atenção: pode causar cólica leve a moderada; risco baixo de infecção; deve ser agendada após a menstruação e antes da ovulação.
– Histerossonossalpingografia (HyCoSy) e HyFoSy (contraste com espuma sob ultrassom):
– Vantagens: evita radiação, permite avaliação dinâmica intraexame; costuma ser bem tolerada.
– Quando usar: como alternativa à HSG, especialmente em centros com experiência.
– Interpretação:
– Trompas pérvias bilateralmente: segue-se investigação de outros fatores.
– Obstrução unilateral: ainda possível gestação espontânea, mas atenção ao tempo de tentativa.
– Obstrução bilateral: considerar técnicas de reprodução assistida (como FIV), especialmente se outros fatores coexistirem.

Mapeamento da cavidade uterina: sonohisterografia e histeroscopia

– Sonohisterografia (saline infusion sonography): soro fisiológico no útero sob ultrassom para enxergar pólipos, miomas submucosos e sinéquias.
– Histeroscopia diagnóstica: câmera intrauterina; permite ver e, muitas vezes, tratar no mesmo ato (retirada de pólipos, lise de aderências, correção de septos).
– Por que fazer: alterações intracavitárias podem reduzir taxa de implantação e aumentar risco de abortamento; a correção costuma melhorar desfechos.

Fatores hormonais e metabólicos: ovulação, SOP e saúde geral

Mesmo com trompas pérvias e anatomia uterina normal, desequilíbrios hormonais podem impedir a concepção. A investigação direcionada acelera o tratamento.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP) e distúrbios ovulatórios

– Sinais de alerta: ciclos longos ou ausentes, acne persistente, queda de cabelo, ganho de peso central, presença de múltiplos folículos pequenos no ultrassom.
– Exames úteis:
– Andrógenos (testosterona total e livre, androstenediona, DHEA-S).
– Glicemia, insulina, HOMA-IR, lipidograma: avaliam resistência à insulina e risco cardiometabólico.
– O que esperar do plano: ajustes de estilo de vida, indução de ovulação quando indicado, monitorização ultrassonográfica e, se necessário, escalonamento para técnicas de reprodução assistida.

Tireoide, prolactina e fase lútea

– TSH fora da faixa ideal para concepção pode dificultar a ovulação e elevar risco de perda gestacional precoce; correção é simples e eficaz.
– Hiperprolactinemia pode estar relacionada a medicamentos, estresse, microadenomas hipofisários; a abordagem é personalizada e costuma normalizar a ovulação.
– Progesterona baixa na fase lútea merece reavaliação do timing de coleta, confirmação de ovulação por ultrassom e, quando apropriado, suporte luteal.

Endometriose: quando suspeitar e como investigar sem perder tempo

A endometriose é causa relevante de dor pélvica e infertilidade feminina, podendo comprometer trompas, ovários e a qualidade do ambiente pélvico.

Sinais clínicos que pedem investigação dirigida

– Dismenorreia forte (cólica que incapacita), dor à relação sexual, dor para evacuar durante a menstruação, sangramento intermenstrual.
– História familiar de endometriose, endometriomas já identificados no ultrassom, infertilidade com dor pélvica crônica.

Exames de imagem com maior sensibilidade

– Ultrassom transvaginal com preparo intestinal: realizado por profissional treinado para mapear focos profundos (septo retovaginal, ligamentos uterossacros, alças intestinais).
– Ressonância magnética pélvica: útil para complementar o estadiamento, especialmente em suspeita de doença profunda.
– Conduta: o achado de endometriomas, aderências ou doença profunda orienta o plano terapêutico; para quem busca gestação, a estratégia equilibra controle da dor, preservação da reserva ovariana e, quando necessário, acesso à FIV.

Olhar do casal: exames do parceiro e fatores combinados

Embora o foco aqui seja a avaliação da mulher, a fertilidade é sempre uma soma. Investigar o parceiro desde o início evita meses de espera desnecessária.

O básico que não pode faltar

– Espermograma com critérios atualizados: avalia concentração, motilidade, morfologia e volume.
– Quando repetir: alterações leves pedem confirmação após 8–12 semanas (ciclo completo de espermatogênese).
– Exames adicionais conforme o caso: ultrassom testicular, avaliação hormonal masculina, pesquisa de infecções urogenitais.

Por que isso importa: em muitos casais, coexistem um fator masculino leve e um fator feminino sutil. Corrigir ambos simultaneamente encurta o caminho para a gravidez.

História clínica e estilo de vida: dados que mudam o plano

Exames objetivos são fundamentais, mas o contexto clínico orienta decisões e prioridades. Na infertilidade feminina, detalhes da história podem redefinir a rota.

O que o especialista vai querer saber

– Idade, tempo de tentativas e padrão dos ciclos (duração, regularidade, intensidade).
– Gestações e perdas anteriores, partos e cirurgias ginecológicas.
– História de infecções pélvicas, uso de DIU, ISTs tratadas, dores pélvicas e sintomas cíclicos.
– Histórico pessoal e familiar de menopausa precoce, SOP, endometriose, trombofilias, doenças autoimunes e tireoidopatias.
– Medicações em uso, hábitos (tabagismo, álcool), estresse e sono.
– Vacinas e triagem pré-concepcional: rubéola, varicela, sífilis, HIV, hepatites B e C.

Estilo de vida e fertilidade

– Peso e composição corporal: tanto baixo IMC quanto obesidade podem reduzir a ovulação e a qualidade ovocitária.
– Tabagismo e vaping: aceleram a perda de reserva ovariana; parar cedo melhora chances em meses.
– Álcool e cafeína: moderação auxilia, especialmente durante tentativas e tratamentos.
– Atividade física: rotinas regulares favorecem a ovulação e o controle glicêmico em SOP.

Quem pode ajudar: profissionais e caminhos de cuidado

Formar um time certo faz diferença na velocidade e na qualidade das decisões.

Especialistas de referência

– Ginecologista com foco em reprodução humana: coordena a investigação e propõe o plano.
– Especialista em reprodução assistida: essencial quando há obstrução bilateral de trompas, reserva muito baixa, falhas repetidas de ovulação ou idade avançada.
– Radiologista/ultrassonografista experiente em pelve e endometriose: melhora a acurácia diagnóstica.
– Endocrinologista reprodutivo: ajusta distúrbios hormonais complexos (tireoide, prolactina, SOP resistente).
– Nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta pélvica: suporte integrado para adesão, controle de dor e qualidade de vida.

Como organizar sua jornada

– Primeira consulta: leve histórico menstrual detalhado, lista de exames prévios e medicações; anote dúvidas.
– Mês 1: colete exames hormonais (FSH, LH, estradiol, TSH, prolactina, AMH), ultrassom com CFA.
– Mês 2: realize HSG ou HyFoSy/HyCoSy e, se indicado, sonohisterografia; parceiro faz espermograma.
– Mês 3: complete investigação de endometriose se houver suspeita; ajuste de tireoide/prolactina/SOP; reavalie estratégia com a equipe.
– Reunião de plano: defina metas por 3–6 meses (tentativa natural assistida, indução de ovulação, inseminação intrauterina, FIV) com checkpoints objetivos.

Perguntas frequentes que agilizam decisões

Com quantos anos a reserva ovariana cai mais rápido?

A queda se acelera por volta dos 35 anos e torna-se mais rápida após 38–40. O AMH e a CFA ajudam a individualizar essa curva, mas não “congelam” a idade dos óvulos; o tempo ainda importa.

AMH baixo significa que não vou engravidar?

Não necessariamente. AMH baixo indica menor quantidade de óvulos disponíveis, mas gravidez espontânea é possível. O resultado orienta estratégias (antecipar tentativas, considerar FIV, ponderar congelamento de óvulos em alguns cenários).

HSG dói? Posso trabalhar no mesmo dia?

Muitas mulheres descrevem cólicas moderadas e passageiras; analgésicos simples ajudam. A maioria retorna às atividades no mesmo dia. Siga as orientações do serviço e avise caso tenha alergia a contraste ou suspeita de infecção.

Trompas obstruídas sempre exigem FIV?

Obstrução bilateral geralmente direciona para FIV por eficiência. Em obstrução unilateral, avaliação do lado pérvio, idade, tempo de tentativa e demais fatores definem se vale tentar de forma espontânea ou com técnicas menos invasivas.

E se nada aparecer de errado?

Quando a investigação é normal, falamos em infertilidade sem causa aparente. Nesses casos, idade, tempo de tentativas e preferências do casal guiam desde o coito programado com indução de ovulação até inseminação ou FIV.

Checklist prático: prontas para os exames e para agir

– Marque exames de sangue para os dias corretos do ciclo; use alarme/calendário.
– Agende ultrassom transvaginal com CFA na fase inicial (dia 2–5).
– Combine data da HSG/HyFoSy para logo após a menstruação; confirme se precisa antibiótico profilático.
– Anote datas de relações, sangramentos e sintomas por 2–3 ciclos.
– Separe laudos antigos (cirurgias, ISTs, exames hormonais).
– Garanta o espermograma do parceiro no mesmo período.
– Faça perguntas-chave na consulta:
– Qual é a hipótese principal para o meu caso?
– Como meus resultados de AMH e CFA impactam o plano?
– Quais são as opções neste trimestre e quais critérios de sucesso/ajuste?
– Em que momento considerar escalonamento para FIV?

Erros comuns que atrasam o positivo

– Investigar apenas a mulher e postergar o espermograma.
– Coletar hormônios em fases erradas do ciclo, confundindo a interpretação.
– Ignorar sintomas de dor pélvica e não mapear endometriose adequadamente.
– Repetir exames sem necessidade, em vez de avançar no plano terapêutico.
– Desconsiderar fatores de estilo de vida que minam ovulação e implantação.

Estratégias de tratamento alinhadas aos achados

O objetivo da investigação é direcionar ações. A partir dos resultados, o caminho costuma seguir esta lógica:

Quando privilegiar tentativas naturais ou indução de ovulação

– Idade favorável, trompas pérvias, espermograma adequado, ovulação irregular: indução com monitorização e coito programado podem ser suficientes.
– SOP com resistência à insulina: abordagem metabólica associada à indução aumenta taxas de ovulação e gravidez.

Quando considerar inseminação intrauterina (IIU)

– Fator masculino leve, muco hostil ou dificuldades de timing; exige trompas pérvias e avaliação uterina normal.
– Evidências mostram benefício principalmente em mulheres mais jovens e após poucas tentativas.

Quando partir para fertilização in vitro (FIV)

– Trompas obstruídas bilateralmente, endometriose moderada a grave com comprometimento tubário/ovariano, baixa reserva com necessidade de otimizar tempo, falhas repetidas de ovulação ou idade avançada.
– A FIV permite controle de fecundação e transferência, e pode ser combinada a testes adicionais conforme indicação clínica.

Exemplos de linhas do tempo para diferentes perfis

– Mulher de 30 anos, ciclos irregulares, AMH adequado, CFA preservada, trompas pérvias: 1–3 ciclos de indução de ovulação com monitorização; reavaliar em 3 meses.
– Mulher de 36 anos, tentativas há 8 meses, AMH limítrofe, CFA baixa, trompas pérvias, espermograma normal: janela curta; discutir 1–2 ciclos de indução/IIU e plano B precoce para FIV.
– Mulher de 34 anos com dor pélvica cíclica, endometrioma de 3 cm e suspeita de endometriose profunda: mapear doença, discutir impacto na reserva e, se a prioridade é gestar logo, considerar FIV antes de cirurgias extensas.
– Mulher de 40 anos, obstrução tubária bilateral: FIV é a via mais eficiente; considerar otimização prévia (vitamina D, tireoide, controle metabólico) e discutir números realistas de sucesso.

Como manter o bem-estar durante a investigação

O processo pode ser exigente. Cuidar da saúde emocional e física melhora adesão e qualidade de vida.

Hábitos que ajudam

– Rotina de sono e manejo do estresse (respiração, terapia, atividades prazerosas).
– Plano alimentar anti-inflamatório ajustado ao seu contexto (sobretudo em SOP e endometriose).
– Comunicação aberta com a equipe e com o parceiro, alinhando expectativas e prazos.

Mensagem final: informação, plano e ação

Com os exames certos, interpretados na hora certa, a infertilidade feminina deixa de ser um enigma e se torna um problema solucionável. Avaliar reserva ovariana (AMH, FSH/LH/estradiol, ultrassom com CFA), checar permeabilidade das trompas (HSG/HyFoSy), mapear o útero (sonohisterografia/histeroscopia) e investigar hormônios reguladores (tireoide, prolactina) acelera o diagnóstico. Suspeita de endometriose merece olhar especializado, e o espermograma do parceiro é indispensável desde o início.

Dê o próximo passo hoje: marque sua consulta, organize o calendário de exames por ciclo e leve este checklist. Com um time experiente ao seu lado e um plano claro, você reduz o tempo de incerteza e aumenta as chances de realizar o sonho de gestar.

O vídeo aborda os exames para investigar a infertilidade feminina, destacando a avaliação da reserva ovariana através de dosagens hormonais (incluindo antimülleriano), ultrassom transvaginal com contagem de folículos antrais e a histerossalpingografia para avaliar a permeabilidade tubária. Antecedentes pessoais e familiares também são importantes na predição da reserva ovariana, como histórico de síndrome ovariana policística na adolescência ou endometriose.

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